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Postagens

Violinos amantes

Ladies in Lavander é um filme inglês de 2004 que no Brasil recebeu o nome de O violinista que veio do mar . Porém o post de hoje não é sobre o filme e sim a música de Nigel Hess chamada Fantasy for Violin , interpretada pelo solista Joshua Bell. Minhas impressões a respeito da composição de Hess são restritas ao meu campo imagético e imaginativo. Não tenho intenções de tecer nenhum comentário técnico, até porque, não me sinto capacitada para tal. Assim que ouvi a música veio a imagem de dois amantes num tribunal cujo amor estava sendo colocado à prova por seus algozes. A composição inicia-se com violinos (defensores) dizendo “não” a um oboé juiz da sessão. Novamente os defensores argumentam com o juiz oboé pelo jovem violino que dada a palavra começa sua defesa. Ao fundo violoncelos algozes marcam o compasso do jovem amante. Junto a ele seus defensores ajudam nos argumentos. O oboé juiz questiona sobre a veracidade de seu amor. Prontamente, o jovem violino responde fazend...

Peeling de Diamante

Outro dia numa sala de espera, ouvi o esbravejar de uma mulher ao telefone querendo fazer com que o pelling de diamante de sua clínica de estética vendesse mais do que o da concorrência. Seu anúncio deveria sair urgentemente num desses sites de compra coletiva. Queria “matar” a concorrência. Não tenho a menor noção do que seria um peeling de diamante, mas acredito que seja algo realmente capaz de fazer milagres, haja vista, o total destempero da proprietária da tal clínica. E tomando parte uma famosa frase de Marilyn Monroe, o peeling de diamante deveria de fato ser o melhor amigo da mulher a qual se propusesse fazer. O mundo competitivo está aí. A competição move o mundo ou o mundo move a competição? Não sei. Parece que a cada minuto temos que ser melhores. Melhores profissionais, melhores alunos, melhores pais, melhores filhos, ter a melhor roupa, melhor pele, melhor cabelo, o melhor preço, melhor, melhor, melhor... Fiquei muito chocada com a arrogância e a falta de educação...

Vale o quanto pesa

Vale quanto pesa era o nome de um sabonete que existia quando minha mãe era criança. Grande, de formato oval, rendia bastante, valia o preço pago. Era uma economia para famílias numerosas. Numa reflexão bem simples e rasa veio-me a pergunta: Será que temos coisas em nossas vidas que “valem o que pesam”? Existem coisas as quais acumulamos que nos pesam, mas nada valem, ou que valem, mas não têm peso algum. Eu tenho em mim muitas coisas que pesam, algumas valem outras não. A minha saudade, por exemplo, “vale o quanto pesa”. Tenho inúmeras saudades: da minha infância; dos meus entes queridos que já se foram; saudade de algumas bonecas; de alguns desenhos; de lugares onde estive; de momentos vividos; de vozes que ouvi; de filmes; do pastel da D. Isaltina, enfim, tudo o que me marcou e que foi capaz de me causar um suspiro ou provocar um sorriso. A saudade é um sentimento tão diverso e ao mesmo tempo único. Tem uma potencialidade imensa. Senti-la é como uma explosão. A sau...

Storms in the Africa

Enya é uma cantora, compositora e instrumentista irlandesa cujas músicas já fizeram parte de trilhas sonoras de alguns filmes. Suas músicas vão do clássico ao new age e tiveram muita projeção nos anos 80 e 90. Seus álbuns venderam milhões e até hoje é considerada a artista solo que mais vendeu. O que me interessa neste post não é falar sobre Enya, e sim sobre duas músicas contidas no álbum Watermark : Storms in the Africa e Storms in the Africa pt 2 . Já falei num post que ao ouvir determinadas músicas, as visualizo. Associo o som dos instrumentos a imagens. Como se fosse uma fotografia, ou melhor, um filme. Com Storms in the Africa não foi diferente.  A música inicia com que me parece um instrumento de cordas de som abafado, depois há uma crescente e surge uma voz. Em dado momento há um rompimento e novamente inicia-se o instrumento de cordas junto a tambores (tímpanos talvez) e a voz. Sempre evoluindo, evoluindo, até o ponto que há a pausa definitiva. Storms in the Af...

Dona Isaltina

Escrever sobre Dona Isaltina é relembrar minha infância. Dona Isaltina era uma quituteira de mão cheia. Tudo o que fazia era de uma qualidade incrível. Sua imagem ainda hoje é nítida para mim. Sem precisar fechar os olhos a vejo adentrando o quintal dos meus avós, estatura baixa, saia até os joelhos, um lenço na cabeça branquinho tal como seus cabelos. Apoiada em sua cintura, uma bacia de alumínio, muito bem areada por sinal, e dentro: pastéis de massa caseira, bolinhos de aipim (com recheio de carne moída e seca), quibes e bolos. Seus salgados eram robustos, cheirosos, bem feitos, deliciosos. Um manjar dos deuses.   Dona Isaltina era o elo da presença de meu avô. Como meu avô morava em outro estado à trabalho, o período em que se encontrava aqui no Rio, era o momento do aparecimento de Dona Isaltina, porque a venda total de seus quitutes era garantida. E era uma festa, tanto para a quituteira como para nós, as crianças. A comida de fato é um elemento agregador. Comer...

Tempo

Era uma vez o mais jovem dos Titãs, Cronos, filho de Urano. Cronos devorava os filhos logo que nasciam. Isso fez com que Réia, sua esposa e irmã, fugisse para Creta a fim de dar à luz Zeus. Já adulto, Zeus, deu a Cronos uma droga fazendo-o vomitar todos os filhos que engolira outrora. Com o auxílio dos irmãos, Zeus, acorrentou Cronos, mutilou-o dando início à segunda geração dos deuses. Cronos personifica o Tempo (Chronos). Tempo, senhor cruel, imperdoável, devora, engendra, destrói suas criações, estanca as fontes da vida, exprime um sentimento de duração que se esgota, extravasa e passa entre a excitação e a satisfação, teme um substituto, um herdeiro. O Tempo teme, e para não temer, ataca e dá fim ao que o ameaça.   Quantas vezes já ouvi e mencionei a palavra tempo. Tudo se desenvolve em meio ao Tempo. “Vamos dar um tempo”; “estou sem tempo”; “não tenho tempo”; “acabou-se o tempo”; “fulano não tem muito tempo de vida”; frases ouvidas com certa frequência. Elas nos dão u...

12

O 12 é o número das divisões espaço temporais. É o produto dos quatro pontos cardeais pelos três planos do mundo. Divide o céu considerado como uma cúpula em 11 setores: os 12 signos do Zodíaco. Ele simboliza o universo no seu curso cíclico espaço-temporal. Número da ação, da vibração sonora que preside a gênese. E simboliza o universo com toda a sua complexidade interna. Doze é sempre e definitivamente, segundo os simbolistas, o número de uma realização, de um ciclo concluído. Particularmente, simpatizo muito com o doze (principalmente o 12 de junho). Dia 12 de junho é o Dia dos Namorados então para todos aqueles que estão enamorados ou que querem enamorar-se reescrevo um trecho do livro Amor, de Maria de Lourdes Borges, para a reflexão: “O amor, na sua forma avassaladora, dissolve tudo o que é fixo. Olhar o outro nos olhos e temer o senhor absoluto nos dá a dimensão mortal de Eros.” Deixo também a poesia de Luis de Camões e a imagem da escultura de Constantin Brancusi...