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Postagens

A Árvore da Vida

“Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus? (Jó, 38:4,7- O Senhor convence a Jó de ignorância) Assim começa o filme A Árvore da Vida de Terrence Malick, com versículos do Livro de Jó. Jó era um rico proprietário de terras; homem íntegro e reto, temente a Deus e sempre se desviava do mal. Até que Satanás propõe a Deus tirar todos os bens de Jó a fim de que este ratifique a sua fé. Deus então, confiante na fé de seu filho, retira todas as bênçãos de sua vida. Jó passa por provações das mais diversas, porém, permanece com sua fé. A abertura do filme com o livro de Jó dá o caminho o qual irá seguir. A história de uma família, temente a Deus, que com a perda de um ente amado, questi...

Poesia 3

Não tenho muito o que dizer esta semana. Quando não temos algo a dizer, o melhor é calar. Calada estou, em meus pensamentos e quando me calo fico com meus livros. Então, resolvi postar um poema que não foi escrito por mim, mas por Lya Luft. Não mais dizer adeus (Lya Luft) Meu reino é o do silêncio, mais que o das palavras. Nele tudo pode ser dito e desinventado: as entrelinhas transbordam dos meus contornos. Minha alma, guerreira ou mendiga, inocente menina ou bruxa perversa, faz dessa teia de caos e luz uma viagem com sempre um novo ponto de partida. E desenrolada infinitamente o teu nome, que é todos os nomes, e não é miragem: Vidaminhavidaminhavidaminha... (E nunca mais ter de dizer adeus.)

Nos braços de Klimt

Ele a tinha nos braços. Ajoelhados os dois sabiam da fortaleza de seu amor. No entrelaçar dos corpos pareciam siameses. As mãos dele seguravam o rosto dela delicadamente dizendo: tu és minha. A face dela, enrubescida, dava a dimensão do quão quente era o beijo dele.  Ele por sua vez ao beijá-la escondia o rosto entre seus cabelos. Cabelo este coberto de flores. Com rosto sereno, ela, vertia todo o seu prazer. As peles se contrastavam. Ela, com sua pele alva e lábios marcados de vermelho, parecia uma gueixa, cujos dedos agarravam a nuca de seu amo. Ele na maior parte quadrado e ela círculo. Símbolos geométricos contrários, mas em perfeita sintonia. Em volta toda a discrição do tom pastel. O casal está sobre base bem colorida e alegre. Quem os admira pode ter um pouquinho de inveja caso não tenham um amor como o deles. Gustav Klimt, (1862-1918) pintor austríaco, foi um dos fundadores do Movimento de Secessão de Viena. Esse movimento recusava toda a tradição acadêmica das artes....

Vampire

Eu acredito em vampiros. Não os de filmes de terror. Acredito na existência de pessoas vampirescas. Vampiros são todas as pessoas que sugam a energia do outro. Não só a energia, mas os sonhos, as esperanças, a vontade de viver, o tempo... O vampiro está sempre à espreita, esperando o momento certo de dar a mordida fatal. Trazendo a vítima para seu mundinho sombrio. Tornando-a dependente e sem vida. Os vampiros estão em todos os lugares. São muito perspicazes. Possuem diversas formas. Aparecem como seu colega, seu parente, seu namorado(a), seu marido/esposa, seu vizinho, seu chefe... Como nos defender de pessoas vampirescas? Carregando alho, estaca e água benta? Ou se tornando um Van Helsing? Não sei. Arrisco dizer que a grande defesa seria o bom-astral. Mas os vampiros, no geral, atacam justamente as pessoas de bem com a vida. Isso porque os vampiros são, na verdade, mal resolvidos, amargos, recalcados e toda aquela imagem sedutora e segura que apresentam, não passa ...

Saias pregueadas

Chove no Rio e esse tempo me permite vasculhar guardados e tentar compartilhar com vocês. Então, resolvi postar um texto que escrevi em 2006. Sigo ouvindo as preciosas músicas de Cartola. Uma boa semana a todos. Saias pregueadas (Luzia Rocha - 31/01/2006) “Foi-se o tempo em que usávamos saias pregueadas!”, pensou ela ao observar as meninas indo para escola. Judite morava em Copacabana na esquina da Rua Duvivier com a Rua Barata Ribeiro num apartamento de dois quartos, sala, banheiro, dependências e cozinha de pastilhas. Judite gostava das mesmas coisas há anos. Não admitia que ninguém movesse um objeto de sua casa sem seu consentimento. Seu sinteco era perfeito, tapetes, móveis pesados, escuros (cheirando a óleo de peroba), paninhos de crochê, espelho emoldurando a sala de jantar, cortinas de trilho com voil e cristaleira. Na sala, ostentava um oratório com a imagem barroca de Nossa Senhora do Bom Parto que fazia questão de emprestar a toda moça conhecida que ia parir....

Querer e respeitar

Querer é um verbo que significa desejar, pretender ou pode significar exigência. Respeitar também é um verbo que significa temer, acatar, cumprir, concernir. Será que aquilo que eu quero pode ser respeitoso? Aquilo que o outro quer pode me respeitar? O meu desejo, geralmente, confronta com a expectativa do outro. Tenho minhas dúvidas se o fato de desejar algo intensamente em determinados momentos pode ser uma forma de desrespeito. Às vezes o que é respeito para mim é desrespeito para o outro. O meu querer é o não querer do outro e vice-versa. Sei que querer é uma palavra muito forte assim como suas conjugações. É verdade que o meu querer tem andado um pouco como as marés e o meu respeito anda sempre nas alturas, porém, não ouso ter o poder sobre elas no outro. O que eu posso é tentar tê-las em meu poder e dispô-las da forma que me convier.     Em certos momentos o meu acatar fala mais alto, em outros o meu concernir é mais intenso. Mas tenho ligeira imp...

Eu que coso

Acho que estou com o nervo da minha sola do pé torcido, na região do calcanhar. Pra completar tive uma indisposição alimentar esse final de semana. Tô na base da dieta. Não aguento mais comer batata. Fechando com chave de ouro: tô de TPM. Enfim, tudo maravilhoso pro meu lado. Acordei pensando nas minhas duas avós: Francisca e Emma. A primeira, se viva, faria hoje 85 anos. A segunda, por causa do meu nervo torcido. Infelizmente as duas já não estão mais em minha convivência. Sou adepta a crendices. Gosto muito de tradições populares. Cresci no meio de crendices. Quando criança sempre era levada pra ser rezada. Hoje não se encontra mais rezadeiras ou benzedeiras, pelo menos, onde eu moro. Se minha avó Emma fosse viva, daria um jeito no meu nervo torcido. Ela sabia rezar nervo torcido e cobreiro. Era tiro e queda. Pegava agulha virgem, linha, uma bacia d´água e dentro um pote de barro. Começava a rezar e como num passe de mágica a água entrava no pote de barro e o nervo curava. ...