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São Jerônimo

Fui a exposição sobre os Orixás que está na Casa França Brasil. Esperava mais. A exposição é bonita. Nela estão os painéis de Carybé e seus desenhos. Painéis enormes com a representação dos orixás talhados em madeira, lindos. Há as famosas fotos de Pierre Verger. Lindas esculturas feitas em aço com os símbolos dos principais orixás. tem Oxossi, Oxum, Iemanjá, Ogum, Xangô, Oxumaré e Exu. Os desenhos de Carybé com as representações de Nanã, Iroco, Ossaim, Logum Edé. Dois quadros de Heitor do Prazeres, onde num deles, há uma roda de samba com um ponto riscado no chão. Há painéis com o trecho do livro de Jorge Amado,  Bahia de Todos-os- Santos, descrevendo como são cada um dos orixás, mas, sinceramente, achei uma exposição para turistas... Acho que poderia ser uma exposição mais profunda sobre esse universo tão vasto e encantador. Nós brasileiros temos em nossas veias muito do DNA daqueles negros vindos da África e muitos de nós ainda desconhecemos da cultura e ritos afros. É uma...

Salve as crianças!

Semana que vem é dia de Cosme e Damião. E já que são duplos, não poderia ser diferente, comemora-se em duas datas 26 e 27 de setembro. Para mim eles são triplos, tem o Doum junto. Adoro essa época. Fui criada nessa atmosfera de magia e alegria. Se somarmos 26 (2+6=8) dá o numeral 8 que simboliza o equilíbrio cósmico e nas crenças africanas tudo que é puro é duplo (quatro duas vezes). se somarmos 27 (2+7=9) o nove representa a totalidade dos três mundos e é um dos números da esfera celeste, nove é o número da plenitude. Não tem pra onde correr, a data dos santos gêmeos é celestial.  Ainda tem o Doum pra completar a tríade geradora de todo o princípio universal.  Segundo estudiosos a imagem do santo gêmeo foi introduzida no Brasil no século XVI. Nasceram na Arábia e foram martirizados na Cilícia. Eram médicos por profissão, não cobravam e ficaram famosos por suas curas extraordinárias. Foram padroeiros da poderosa família dos Médicis e depois a crença se espalhou por toda a...

Eu continuo acreditando "nessa" rapaziada!

Era para escrever só amanhã carregada da minha emoção pós cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos 2016, mas não aguentei e resolvi escrever hoje mesmo. Que coisa maravilhosa assistir ao jogos... e poder ver o quanto a gente deve acreditar nessa rapaziada! Não teve um dia que eu não chorasse. Chorei de emoção, de alegria, de satisfação ao ver atletas tão bons, tão seres humanos competindo com muita garra e técnica. Representaram seus países com alegria e determinação, independente se as medalhas vinham ou não. Tive a oportunidade de assistir de perto uma das competições e eles são surpreendentes. E como já disse, eles são eficientes e não "deficientes", esse rótulo não cola com eles. Aliás, deficientes somos nós "normais" que choramos por qualquer batida de martelo nos dedos, por qualquer topada, por qualquer dorzinha... Eles não. Vão lá, buscam mesmo com suas limitações físicas e conseguem. Foi lindo vê-los compartilhando suas vitórias com suas família...

Eu acredito "nessa" rapaziada!

Escrevo fortemente emocionada com a abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Chorei muito!  Nós reclamamos diariamente por tantas coisas banais, temos a síndrome do "aí coitadinho de mim", desistimos facilmente depois de tantas quedas e baques na vida, mas eles estão lá superando. Superam tudo: limitações físicas, limitações de dor, limitações que o preconceito insiste em provocar, limitações de locais para treinar, limitações de patrocínio, limitações das mais variadas ordens... mas estão lá! Entrando no Maraca sorrindo, balançando suas bandeiras, carregando a alegria de representar seu país! Representando os refugiados da Síria, representando a fome da Somália, representando a guerra em Moçambique, representando as dores de toda uma nação, porém, no momento que adentram o grande estádio isso tudo vem junto em seus corações e uma explosão de sorrisos superam todas as tristezas. Agora sou um ser em totalidade! Sou um atleta! Vou competir, sou capaz! Mostram as ...

A cabana

Gostaria neste momento estar num deck contemplando as estrelas acompanhada de alguém interessante e que fosse o responsável pela Criação. E que ao entrar na cabana estivesse esperando por mim outras companhias muito agradáveis e que me acalentassem a alma. E por alguns dias pudessem me dar um intensivo de como viver plenamente. Esse é mais ou menos o que o livro A Cabana  propõe. Na verdade o livro trata-se de muito mais. O livro conta a história de Mack e seu acerto de contas com Deus. Gosto de reler e rever coisas. Dessa vez foi com A cabana. A primeira vez, o li em 2008, de lá pra cá muita coisa mudou e eu também. Tô mais ou menos como Mack tentando acertar minhas contas com O Criador. Tentando compreender "A Grande Tristeza" que se abateu na minha vida. Sendo que na vida de Mack a tristeza foi pior que a minha.  Tristezas à parte, o livro é fabuloso. Sugiro a todos que leiam, independente de suas tristezas ou de suas alegrias. O livro é pra vida. O bacana é notar que...

O triunfo da cor

Estou brava com Deus, sou humana e posso ficar brava com quem quiser, ainda mais com aquele que tenho intimidade. Esse post seria a escritura da minha carta bem aborrecida a Ele. A carta começaria assim: "Nem vou perguntar como está, porque estou puta contigo! Tá achando que sou palhaça?"... Se esse seria o início, imagine o final... nem queiram saber... Mas com amigo(a) a gente tem essa liberdade. Pois bem, tava eu andando pelo Centro, depois de gastar muita sola de sapato tentando as minhas vendas de crocheteira, cheia de dor na coluna, no pé e na alma, minha ebulição raivística (inventei) estava se apresentando, resolvi, então, entrar no CCBB, para minha última tentativa de venda... aí nada... Eu sei, fazer tudo com raiva é uma m... ainda mais com raiva Dele, aí não rola... Mas como estava mesmo naquele lugar lindo e que adoro, resolvi conferir no que eles tinham de exposição e aí... foi uma explosão de cor. Está em cartaz no CCBBRJ a exposição O triunfo da cor, o pós...

Homem que come gente

O Abaporu está de volta ao Brasil em curta temporada no MAR (Museu de Arte do Rio). O quadro de Tarsila do Amaral está em exposição juntamente com os quadros de Botero e Di Cavalcanti.  Abaporu é um quadro famoso, estudamos ele e a cultura antropofagista dos modernistas no ensino médio. É datado de 1928 e foi um dos emblemas do Modernismo. Em tupi Aba (homem); pora (gente); ú (come), então "homem que come gente". Os modernistas tinham como lema valorizar tudo que era nosso e "comer" a cultura estrangeira (até hoje, penso que Lima Barreto seria muito aplaudido na Semana de 22). Bela proposta, mas acho que muitas delas caíram por terra, a meu ver. Já tem tempo que valorizamos tudo que é de fora. Claro, os turistas são bem vindos e temos que estar abertos ao intercâmbio cultural. Porém,  o brasileiro tem uma visão de desvalorização já arraigada. Se ouvimos dizer que fulano estudou fora é um: "Oh! que maravilha!", se ouvimos que beltrano foi pra fora ...